Edmilson dos Santos Silva, mais conhecido como DinhoK2 começou sua carreira no movimento hip-hop em 1984, quando liderava um grupo de break (The Guettos Break Dance) as apresentações junto as equipes de som; Music Rio, Skate Sounds, Top Off The Pop entre outras eram palcos para os meninos de Monjolos (Dinho, Renildo, Wilson e Edvaldo (Jôdo) darem os seus primeiros passos e para a formação de grandes homens. Naquela época o movimento era ainda incipiente no Brasil e o Hip-Hop ainda dava seus primeiros passos. Em meados dos anos 90, o break já não tinha tanto destaque enquanto o movimento funk começava a crescer (Rio). E então criou a dupla de mc’s ?Dinho e Betinho?, que faziam apresentações em bailes de São Gonçalo, Niterói, Rio de Janeiro e Região dos Lagos. O fato mais marcante desta carreira foi a apresentação no Rio’s President Hotel em 1995, num desfile de moda que os colocou em contato com figurões da mídia e garantiu-lhes figurações na novela ?Mandacaru? e em episódios do ?Você Decide? da Rede Globo. Em 1997 os Mc’s Dinho e Betinho se apresentaram no festival ?Mil e Uma Noites?, na casa Tá na Rua na Lapa onde ao conhecerem o grupo ?Nocaute? e se identificaram com suas letras de rap, pois estas retratavam sua realidade. Nesta mesma noite (encantamento) foi escrita a primeira letra (?Sistema?) na nova dupla que nascia: K2 Mc’s, composta por DinhoK2 e BetoK2. A partir daí passaram a fazer apresentações de rap nos mesmos lugares onde cantavam funk anteriormente e seu leque de opções abriu-se. Entraram para a história do Hip-Hop carioca quando estiveram se apresentaram no Viva Zumbi II, no Morro Dona Marta em 1999, realizado pela Aticon. Este foi o divisor de águas da história do Hip-Hop carioca. Estava ainda em começo de carreira: Marcelo D2, Marcelo Yuca (ainda germinando o ?Rappa?) e Vinícius Terra, Tito, ex-DJ de Gabriel, o Pensador, participou com K2 Mc’s, fazendo beatbox (imitação feita unicamente com a boca, de batidas eletrônicas) para que o grupo pudesse rimar. Em 2000 o K2 Mc’s se separou, e DinhoK2 continuou em carreira solo e gravou o CD ?A voz da periferia? (produzido por Dj’s "TR", "A", Michel Messer). Neste mesmo ano, conheceu Dudu de Morro Agudo bem como o b.boy Bolinho (ainda dançarino de streetdance do grupo ?The Best?) e participou da coletânea ?Movimento Enraizados Brasil Vol 1? em 2001, onde participaram os grupos 2ª Via (RJ) , Falange da Rima (MS) , Contra Proposta (TO) , Evolução do Gueto (SC) , Pânico Brutal (SP) , Primatas do Mutirão (PB) , K2 MCS (RJ) , Erupção de Rimas (TO) e Submundo do Crime (SP). A partir daí Bolinho passou a aprender técnicas de b.boying e hoje está no GRN ? Grupo de Rua de Niterói, fazendo inúmeras turnês pela Europa. Mas, voltando a história, K2, Dudu de Morro Agudo, Bolinho e o DJ Wilson Neném, formaram o CLAM ? Consciência, Liberdade, Atitude e Movimento. Em 2001 para 2002. Este grupo chegou a agregar 15 b.boys, que davam uma identidade diferente ao grupo de rap, pois até então quase ninguém dava espaço para b.boys se apresentarem em shows de rap. Juntos passaram também a ministrar oficinas dos elementos do Hip-Hop em escolas públicas, finaciados pelo projeto Escolas de Paz, da UNESCO. Ainda em 2002 a segunda coletânea é lançada com artistas e grupos de quatro estados Brasileiros: Dudu de Morro Agudo (RJ) , Pânico Brutal (SP) , Clube dos Doze (SP) , Baixada Brothers (RJ) , Submundo do Crime (SP) , 2ª Via (RJ) , Fiell (PB/RJ) , Falange da Rima (MS) , K2 (RJ) , Toka (SP) , Família Tiro Verbal (RJ) , Fúria do Raciocínio (SP) e Primatas do Mutirão (PB). As apresentações mais marcantes dentre as inúmeras que forma feitas, foram: apresentação no Prêmio Hutus 2002, abertura do show do Racionais Mc’s em 2003 na Chatuba, e abertura do show do MV Bill em Vilar dos Teles no mesmo ano. Ainda em 2003, com a saída de Dudu de Morro Agudo para seguir carreira solo e tocar o portal Enraizados, o CLAM passou por um profundo processo de reestruturação. Os outros integrantes também se distanciaram por motivos diversos e K2 teve que repensar que Hip-Hop estava fazendo. Decidiu dar continuidade ao trabalho voluntariamente; dando palestras, elaborando zines fazendo apresentações sozinho, produzindo eventos e dando workshops no Groove do São. Estas atividades continuaram até que em 2004, junto com Roberta (na época ainda estudante de Psicologia), institucionalizaram o Grupo Cultural CLAM e passaram a realizar uma série de atividades de curta duração articuladas entre si que formam uma prática sócio-cultural mais ampla, utilizando como ferramenta principal a cultura Hip-Hop. Seus projetos incluem a administração de oficinas com os 4 elementos da cultura (b.boy, grafite , Mc e DJ), palestras, shows, produção de mídias com software livre, manutenção de um núcleo de pesquisas, intercâmbio com outros estados e países, produção de eventos como: São Gonçalo in Rap, Anonimato Hip-Hop, Noite Suburbana) e parcerias com outros movimentos culturais (Groove do São, Campanha do Artigo 6o, Metareciclagem e La CasaLoca Produções). Todas essas atividades são postas em prática pela equipe do Grupo Cultural CLAM, hip-hoppers de São Gonçalo e adjacências, que somam pelo mesmo ideal e partilham dos mesmos valores. Assim, o Grupo Cultural CLAM apóia e desenvolve ações relativas à produção e ao fortalecimento da cultura das periferias, oferecendo ferramentas para que se possa formar cidadãos mais autônomos, atuantes e críticos na sociedade. Já com esse formato, o Grupo Cultural CLAM continua realizando apresentações de hip-hop, com a manutenção do espaço para a apresentação dos b.boys e abertura de um momento para palestras e oficinas. As apresentações Podem ser em escolas, shows, ao ar livre, saraus... O público-alvo é a juventude e as palestras costumam ser dadas a esta ou a profissionais que lidem com a mesma.